segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Espero que mates a fome aos teus filhos e que tires as dores à tua mãe.


Espero honestamente que tenhas filhos em casa com fome. Ou que tenhas uma mãe com uma doença rara e precises de comprar medicamentos caríssimos.
No limite, espero que estivesses a ser perseguido e esta fosse a tua única hipótese de fuga.
Mesmo que seja pequena a probabilidade de estas razões se aplicarem, prefiro acreditar nelas.
E vou dizer-te porquê.



Porque o carro que levaste me custou a ter.

Não foram os meus pais que me ofereceram. Fui eu. Fui eu que trabalhei para o ter.
E sabes porque o tinha? Não era só um capricho. Eu tinha-o porque preciso dele... para trabalhar.

Sim. Ganhar a vida honestamente e pagar impostos. Conheces?

Agora vou ter de continuar a fazê-lo, mas sem o meu carro. Vou ter de correr para apanhar o último metro.

Mas eu não vivo ao pé do metro. Eu vivo na periferia e não tenho autocarros durante a noite.

Gostava que soubesses que vou ter de começar a ir a pé para casa. Sozinha. De noite.

E estou a dizer-te porque sei que te vai custar saber isto. Porque não me roubaste o carro por egoísmo ou diversão.

Porque quero acreditar que o levaste porque precisavas mesmo dele.

Espero que mates a fome aos teus filhos e que tires as dores à tua mãe.

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